quinta-feira, 14 de maio de 2009


Queria apanhar as estrelas

com um simples esticar de braço

queria conseguir tê-las

guardadas no meu regaço


Há forças que outros têm

Para te elevar aos céus

coisas que a mim não vêm

não chegas aos braços meus


Aquele caminho florido

tenho medo no momento

que foi tanto o meu abrigo

Vire um areal sangrento


Daquele que escapa sem dó

das mãos que mais o adoram

aquele que vira pó

aquele que os meus olhos choram


Não vás por esse caminho

Não escolhas ficar sozinho

Não olhes que não vês nada

Vai até de madrugada...


Estou aqui...

No escuro,

Mas estou!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

chuva(Mariza)


As coisas vulgares que há na vida

Não deixam saudades

Só as lembranças que doem

Ou fazem sorrir


Há gente que fica na história

da história da gente

e outras de quem nem o nome

lembramos ouvir


São emoções que dão vida

à saudade que trago

Aquelas que tive contigo

e acabei por perder


Há dias que marcam a alma

e a vida da gente

e aquele em que tu me deixaste

não posso esquecer


A chuva molhava-me o rosto

Gelado e cansado

As ruas que a cidade tinha

Já eu percorrera Ai...

meu choro de moça perdida

gritava à cidade

que o fogo do amor sob chuva

há instantes morrera


A chuva ouviu e calou

meu segredo à cidade

E eis que ela bate no vidro

Trazendo a saudade

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Manhã...


Deslumbra-me...
Deslumbra-me o bom dia que não soa a sussurrado
A claridade que não aflige os olhos dos demais
o cinzeiro apagado...
da noite passada em que nós fomos iguais!

Purifica-me a alma a espuma do banho
Os cabelos presos a pingar na cara
o chuveiro forte a molhar o pano
um desejo dia que se prepara...

Agonia-me...
Agonia-me ser mais um dia igual
despertar sem ouvir o teu tilintar
um murro deixo cair em cima
desse silêncio sem alcançar!

Depois...
Vejo que me resta uma manhã de Maio
Olho a janela onde já tudo é quente
penso se fico, se estou, se saio
mas afinal vai tanta gente
que eu não sei se sente
que sentiu ausente
essa manhã tão quente!

segunda-feira, 4 de maio de 2009

mais ou menos...


Como detesto o mais ou menos
como me irrita o assim assim
ouvir por perto valores pequenos
eles que fiquem longe de mim.

O talvez, o vamos ver,
o talvez dê...
hipocrisia e medo de falar porquê!?
tudo mudo e parado sem pensar
o que aos outros angústia vai causar.

mentes abertas onde estão?
Por onde andam?
manhãs despertas, abraços fortes
que nos prendam?

Tudo cinzento, o mais ou menos
o não sei quê..
quero esse sol que todos sentem
mas ninguém vê!

Palavras oucas, beijos pedidos
ou suplicados...
andar caminhos ...
ouvir os pássaros não tão calados!

sexta-feira, 1 de maio de 2009

saudades de ti mano...


O poema

O poema me levará no tempo
Quando eu já não for eu
E passarei sozinha
Entre as mãos de quem lê

O poema alguém o dirá
Às searas

Sua passagem se confundirá
Como rumor do mar com o passar do vento

O poema habitará
O espaço mais concreto e mais atento

No ar claro nas tardes transparentes
Suas sílabas redondas

(Ó antigas ó longas
Eternas tardes lisas)

Mesmo que eu morra o poema encontrará
Uma praia onde quebrar as suas ondas

E entre quatro paredes densas
De funda e devorada solidão
Alguém seu próprio ser confundirá
Com o poema no tempo

Sophia de Mello Breyner Andresen

silêncio...


Que mania esta de pensar demais...
Não quero já disse!
Isso que até ao virar da esquina
Parece que teima em seguir em frente
uma pedra que cai
em cima da gente!!
Não gosto do som das meias palavras
Do silêncio imperativo das paredes
queria ouvir o silêncio alto
as palavras queria
Calar às vezes!
Aprendi que sou o que quero ser
a voz é esta que grita e corre
Não tenho medo de parecer
ninguém se escapa e um dia morre.
O olhar distante que vejo agora
A voz que cala porquê não sei
a lua diz para quem namora
que "o sol nem eu um dia apaguei"!